ARTIGO| Em meio à carnificina, a solidariedade proletária

Quinto texto da série especial produzida pelo Cedem/Unesp destaca a solidariedade operária em torno da iniciativa da Confederação Operária Brasileira de congregar a classe trabalhadora na luta contra a Primeira Guerra Mundial.

 

Em meio à carnificina, a solidariedade proletária

Renata Cotrim, historiadora

Logo após a Confederação Operária Brasileira (COB) emitir circular convocando os trabalhadores do mundo e suas entidades representativas para participarem do congresso a ser realizado no Rio de Janeiro, então capital do país, a Comissão Organizadora começou a receber as adesões e monções de apoio vindas de diversas partes do mundo. É importante ter em conta que, apesar de todas as dificuldades que cercavam a iniciativa, inclusive no que respeita às comunicações, muito prejudicadas com a guerra marítimas, a resposta foi bastante positiva. Desde um simples de acordo, até textos longas cartas, que chamavam a atenção para a importância da iniciativa, estão preservadas no acervo.

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Na impossibilidade de transcrever todo o material, foi organizada a tabela abaixo, com o nome das entidades que responderam à convocatória.

Tabela n. 1: Lista das entidades que responderam à convocatória da COB

Entidade Localidade
Partido Socialista da Argentina Buenos Aires/Argentina
Federación Obrera Regional Argentina (FORA) Buenos Aires/Argentina
Federación Obrera Local Bonaerense Buenos Aires/Argentina
Agrupación Infantil Anarquista Buenos Aires/Argentina
Liga de Educación Racionalista Buenos Aires/Argentina
Agrupación Anarquista “A Prepararse” Buenos Aires/Argentina
Ateneo Racionalista de Villa Crespo Buenos Aires/Argentina
Comité Pro-Presos y Deportados Buenos Aires/Argentina
Semanal Anarquista “Iconoclasta” Argentina
“La Protesta” Diário de La Mañana Buenos Aires/Argentina
Periódico Anarquista “La Rebelión” Rosário/Argentina
União Anarquista Comunista da Região do Sul Lisboa/Portugal
União das Juventudes Sindicalistas de Portugal Lisboa/Portugal
Associação União de Classe dos Operários Tecelões Mechanicas Porto/Portugal
Unione Sindacale Italiana “Casa del Popolo” Bologna/Itália
Grupo Educación Anarquista Barcelona/Espanha
Grupo “Los Hijos de Acracia” Sevilha/Espanha
Asociación Internacional de Los Trabajadores Ferrol/Espanha
Ateneo Sindicalista Ronda Espanha
Folha Portuguesa Racionalista de New Bedford “A Luz” Mass/USA
Federação Operária do Rio de Janeiro (União Geral da Construção Civil, Sindicato dos Panificadores, Liga Federal dos Empregados em Padaria, União dos Alfaiates, Sindicato dos Sapateiros, Sindicato dos Operários das Pedreiras, Sindicato Operário de Ofícios Vários, União dos Operários Tamanqueiros, Centro dos Operários Marmoristas), Rio de Janeiro/Brasil
Associação de Marinheiros e Remadores Rio de Janeiro/Brasil
Periódico “A Lanterna” Rio de Janeiro/Brasil
Periódico “Na Barricada”
Centro Cosmopolita Rio de Janeiro/Brasil
União dos Empregados Barbeiros e Cabeleireiros
Centro de Estudos Sociais Rio de Janeiro/Brasil
Centro dos Chauffeurs Rio de Janeiro/Brasil
Grupo de Propaganda Anarquista de Niterói Rio de Janeiro/Brasil
União do Livre Pensamento Rio de Janeiro/Brasil
Centro dos Chauffeurs Rio de Janeiro/Brasil
Allgemeiner Arbeiterverein São Paulo/Brasil
Centro Operário de Jaú São Paulo/Brasil
Sindicato dos Canteiros de Ribeirão Pires São Paulo/Brasil
Grupo Anarquista Renovação de Santos São Paulo/Brasil
Centro Socialista Internacional São Paulo/Brasil
Centro Feminino de Jovens Idealista São Paulo/Brasil
Federação Operária do Rio Grande do Sul Brasil
Federação Operária de Pelotas Pelotas/Brasil
Centro Feminino de Estudos Sociais Pelotas/Brasil
Federação de Resistência das Classes Trabalhadoras de Pernambuco Pernambuco/Brasil
Federação Operária de Alagoas Alagoas/Brasil
Associação de Resistência dos Cocheiros, Carroceiros e Classes Anexas Brasil
Liga Operária Machalense Minas Gerais/Brasil
Associação Irmão Artistas de Juiz de Fora Juiz de Fora/Brasil

A Comissão recebeu também diversas adesões pessoais e vários periódicos, nacionais e internacionais, manifestaram-se positivamente à iniciativa da COB. Mesmo com as enormes dificuldades econômicas enfrentadas pelas associações num contexto de guerra, o que inviabilizou a presença de várias delegações no Congresso, foram várias as que se deslocaram até o Rio de Janeiro, o que garantiu o êxito do evento. A liderança do proletariado estava convencida de sua força e de seu protagonismo na transformação social que estava por vir e isso às vésperas dos acontecimentos de 1917 na Rússia, com profundas repercussões nas organizações de trabalhadores. Vale acompanhar as ponderações da Comissão Organizadora:

“Camaradas! Esta assembléia, reunida apesar de tudo, em meio do geral descabro causado pelo monstruoso crime guerreiro, é bem uma prova evidente de que as aspirações e os sentimentos do proletariado revolucionário não se acham mortos nem apagados. Podemos gritar para o mundo: ao velho pendão da Internacional nós o empunhamos, por sobre todas as ruínas, como um sinal de energia vital, de energia invencível. Viva a Internacional!” (Relatório da Comissão Organizadora, Rio de Janeiro, 14 de outubro de 1915).

 

Leia os outros textos da série:

Primeira Grande Guerra (Texto 1)

Trabalhadores unidos contra a Grande Guerra (Texto 2)

Confederação Operária Brasileira (Texto 3)

I Congresso da Paz e a classe operária brasileira (Texto 4)

O I Congresso da Paz no Brasil: a repercussão na imprensa e o grande comício dos trabalhadores no Largo São Francisco (Texto 6)

 

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