O fascismo é uma besta com capacidade de renascer e se reproduzir.

Há pouco mais de 30 anos, mais precisamente, no ano de 1987, José Luiz Del Roio, ativista político e escritor, publicou pela Global Editora, um dos volumes dos Cadernos de Educação Política. O tema desta obra: o fascismo.

O final da década de 1980 no Brasil apontava para um horizonte de redemocratização, finada a Ditadura Militar e a aproximação da primeira eleição direta para presidente, suspensa pelo regime autoritário desde 1964.

Passadas três décadas da publicação, torna-se mais do que necessário e urgente retomá-la, pois, como afirma o próprio autor, o fascismo “é uma besta com capacidade de renascer e se reproduzir, pois o terreno que o alimenta continua fértil. Portanto é preciso que cada brasileiro, imprima no seu cérebro e no seu coração as palavras: FASCISMO NUNCA MAIS”.

fascismo

Abaixo, transcrevemos alguns trechos do livro.

(…) Teríamos que chegar no ano de 1934, quando o fascismo já havia conquistado o poder na Alemanha e se espraiava rumo a vários outros estados e ameaçava toda a Europa e o mundo, para que no interior da Internacional Comunista se retomasse com vigor o projeto de encontrar um novo caminho para deter este perigo. Foi no XIII plenum, em dezembro de 1933, que surgiu a enunciação mais clássica e conhecida de que “o fascismo no poder é a ditadura terrorista e descarada dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. Ela foi feita pelo novo dirigente máximo da I.C., G. Dimitrov que acabava de sair dos cárceres nazistas.

(…) Antes de mais nada fica claro o conteúdo de classe da ditadura fascista. Ela é exercida em benefício de um setor do capital financeiro. Segundo W. Lenin, o capital financeiro é o resultado da fusão dos bancos com as indústrias, no momento da concentração da produção e da formação dos monopólios. Esta é uma das características que definem a fase imperialista do capitalismo. Portanto o surgimento do fascismo está ligado ao desenvolvimento do imperialismo.

(…) Com a violência e com a concentração de renda, o capital financeiro consegue uma reorganização de todos os setores das classes dominantes e impõe a sua hegemonia, assumindo a liderança, por bem ou por mal de todo o bloco burguês. Sendo assim o fascismo ao poder não é a substituição pura e simples de um governo burguês por outro, mas uma reestruturação, uma modificação de forças no interior da classe dominante e a transformação da forma de dominação e do aparelho do estado, instaurando uma ditadura terrorista e descarada. E o que quer dizer terrorista e descarada? Quando é exercida de forma clara, sem subterfúgios, que não seja da intoxicação de uma propaganda mentirosa. É quando arrebentam e põe sob controle as organizações proletárias, sejam sindicatos, círculos, ligas etc; quando ilegalizam os partidos que possam representar os trabalhadores ou setores da burguesia opositora, quando implantam a rígida censura e fecham ou enquadram qualquer tipo de organismos representativos. E isso tudo é feito de forma terrorista, através de prisões arbitrárias, torturas em massa, desaparecimentos, esquadrões da morte, forçando o exílio dos opositores, criando o terror de estado.

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(…) Para nossa infelicidade, a questão do fascismo é algo ainda muito atual e próximo de nós. Poderia esperar-se que ele tivesse sido enterrado nas ruínas de Berlim. Mas não foi assim. Depois dos primeiros julgamentos condenando os fascistas, tanto aqueles que materialmente cometeram os crimes, quanto aqueles que os inspiraram – os dirigentes dos grande monopólios – a máquina da justiça foi sendo entorpecida. A razão deste procedimento encontramos no desencadeamento da guerra-fria, e muitos dos criminosos voltaram a ocupar cargos em partidos políticos, em sedes governamentais e militares e o que é mais grave, voltaram a dirigir grandes complexos econômicos nos países capitalistas.

É verdade que nenhum deles – a não ser poucos participantes de grupos minoritários – se auto-intitulava de fascista. A repulsa da humanidade por este tipo de gente era grande demais. Porém, as mesmas fontes que geraram o fascismo, continuaram ativas e por todos estes quarenta anos, fenômenos de partidos e governos fascistizantes continuaram a renascer.

(…) Mais uma vez a luta e o sacrifício da força da democracia afastaram o fascismo do poder, mas ele é uma besta com capacidade de renascer e se reproduzir, pois o terreno que o alimenta continua fértil. Portanto é preciso que cada brasileiro, imprima no seu cérebro e no seu coração as palavras: “FASCISMO NUNCA MAIS”.

José Luiz Del Roio, 1987

 

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