A propósito dos 100 anos da Revolução Húngara

Por Marcos Del Roio* – Revista Novos Rumos

Em março de 1917 abriu-se a fase histórica de revolução socialista internacional, que, começada em São Petsburgo, na Rússia, espalhou-se pela Europa centro-oriental, com o apogeu na primavera de 1919, quando a classe operária assumiu o poder na Hungria. O centenário dessa revolução proletária merece ser lembrado. Os conselhos foram a forma por meio do qual esse novo poder se expressou em todas as regiões alcançadas pelo processo revolucionário–desde o berço, em São Petsburgo, difundindo-se pela Rússia, pela Alemanha, pela Áustria-Hungria (na medida em que se desintegrava) até o Piemonte, no norte da Itália.

Em todas as regiões apareceu o problema de como o conselho deveria se relacionar com o sindicato e o partido operário, organismos pré existentes da classe operária. As respostas foram muito diferentes exatamente porque sindicato e partido tinham diferente inserção social e política de acordo com o País, mas, em geral, não foi tão difícil perceber que esses institutos sociais da classe operária estavam plenamente inseridos no corpo do Estado burguês, conforme Rosa Luxemburg (cujo centenário de morte também deve ser aqui lembrado) e Gramsci haviam anotado.

De fato, foi a Itália a última praia alcançada pela experiência dos conselhos operários, a qual ainda se desenvolvia quando a revolução húngara havia já sido estrangulada.Antes mesmoque a ditadura do Almirante Horthy tivesse início, com auxilio decisivo do exército romeno, a mando da França, Gramsci fez a análise da relação entre os sindicatos e a república húngara dos conselhos, um problema político e histórico da maior importância, poisse mostroudecisivopara a derrota da revolução.

Revista Novos Rumos, Volume 56, N. 1 – Capa: Ricardo Normanha

O Governo provisório que se estabeleceu na Hungria, na sequencia da desintegração do Império habsburgo, frente à absoluta incapacidade de conduzir o processo político, em março de 1919, entregou o poder aos conselhos operários e ao Partido comunista, que incorporou os social-democratas. Assim nascia a República húngara dos soviet, a ditadura do proletariado, expressão máxima da democracia dos trabalhadores. As contradições que se apresentaram eram enormes: na base social as diferenças entre a classe operária e os desejos do campesinato, que não queria a estatização da terra, mas a pequena propriedade; dentro do partido, com as divergências entre comunistas e social-democratas; e as divergências entre soviets e partido, por um lado, e sindicatos, por outro. No breve artigo que segue, Gramsci abordou apenas esse último sério problema da experiência revolucionária húngara, mas um problema que já havia aparecido na Alemanha e que poderia se repetir em outros lugares.

Assim, no L’Ordine Nuovo, ano I, nº 23, de 25 de outubro de 1919, apareceu o escrito Os Sindicatos e a Ditadura.

O escrito de Gramsci foi publicado no Volume 56, Número 1 da Revista Novos Rumos e pode ser acessado na íntegra AQUI.

* Marcos Del Roio é Professor Titular da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC-UNESP Marília)

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