A militante histórica na luta contra a Ditadura e em defesa dos Direitos Humanos morreu no ultimo dia 15 de setembro, aos 81 anos.
O Instituto Astrojildo Pereira (IAP) manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a nossa querida Amelinha Teles, ocorrido em 15 de setembro de 2026, aos 81 anos.
Jornalista, escritora e incansável ativista dos direitos humanos, Amelinha Teles foi uma figura histórica da resistência à ditadura militar brasileira. Sua trajetória de luta política iniciou-se ainda na juventude no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, posteriormente, no Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Presa e brutalmente torturada em 1972 no DOI-CODI de São Paulo por agentes do Estado sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra, testemunhou a violência cometida contra sua própria família e companheiros de militância.

Longe de se curvar ao arbítrio, Amelinha transformou a dor e a dor de seus pares em luta intransigente pela democracia e pela justiça[1]. Sua coragem impulsionou a ação judicial movida pela família Teles que resultou na responsabilização e no reconhecimento judicial inédito de Ustra como torturador[6]. Amelinha atuou de forma decisiva como assessora da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e prestou depoimento marcante à Comissão Nacional da Verdade.
Sua militância estendeu-se com igual vigor à defesa dos direitos das mulheres e do feminismo. Fundou a União de Mulheres de São Paulo em 1984, participou ativamente do histórico “Lobby do Batom” na Assembleia Nacional Constituinte e criou, em 1994, o projeto Promotoras Legais Populares (PLPs), promovendo a educação jurídica e o acesso à justiça para milhares de brasileiras. Deixou uma vasta obra reflexiva e literária, incluindo os livros “Breve História do Feminismo no Brasil”, “O que é Violência contra a Mulher”, “O que são direitos humanos das mulheres?” e a obra “Contos da Cela Três: Memórias de uma presa política na ditadura”.
Para o Instituto Astrojildo Pereira (IAP), cuja luta é zelar pela preservação da memória histórica da resistência à ditadura militar no Brasil, do movimento operário e pela promoção dos direitos humanos, da cidadania e da emancipação humana, a partida de Amelinha Teles representa a perda de uma companheira inestimável na luta por memória, verdade e justiça.
Neste momento de dor e consternação, a Diretoria e os associados do Instituto Astrojildo Pereira prestam suas mais sinceras condolências a seus filhos, Edson e Janaína, aos seus familiares, amigos e a todas e todos que se inspiram em seu exemplo inquebrantável de dignidade.
Amelinha Teles: presente, hoje e sempre!
Conheça mais sobre a trajetória de Amelinha
Confira a aula pública: Ditadura militar na perspectiva de gênero, ministrada por Amelinha Teles. Trata-se do nono episódio da quarta temporada da Aula Pública, série do Ópera Mundi. Neste episódio, Amelinha analisa a atuação de mulheres durante a ditadura. A ativista social explica como a violência e a barbárie contra mulheres foi estruturada pelo regime militar nos anos de chumbo.